DOR QUE (NÃO) EXISTE
Doí demais, mas onde, afinal?
Posso tocar? Ver o sinal?
Não é no corpo que se inflama,
é na alma, essa chama.
Doer no peito, sem razão,
medo escuro, solidão,
um fogo lento que me consome,
um sussurro que não some.
Toda dor, por mais intensa, um dia se dissipa,
nenhuma sofre eternamente, tudo passa e fica.
Mas a pele estranha a dor invisível e latente,
aquela que vive, insiste, silenciosa e presente.
Seriam dores do mundo inteiro,
um peso vasto, derradeiro,
um fardo que carrego só,
um pranto escondido no pó.
Na alma, há um mar de espinhos,
ondas frias, sem caminhos,
que arrastam, em silêncio, o que sou,
uma dor que ninguém alcançou.
Mas ainda assim persisto,
busco luz onde resisto,
porque a dor, mesmo que exista,
é chama viva, que insiste.
E na luta, encontro alento,
na esperança, um novo vento,
que leva a dor para longe de mim,
até que cesse o fim.
Tatiana Pereira Tonet
Enviado por Tatiana Pereira Tonet em 25/05/2025