NO ABISMO DO DESEJO
Quero senti-lo profundamente,
Mergulhar sem medo em tua alma ardente,
Beber tuas dores, teus medos calados,
Perder-me em ti, em mundos velados.
Que eu me esqueça até de quem sou,
Num tempo suspenso, onde tudo parou.
Ali, onde a razão já não tem lugar,
E só o querer nos faz respirar.
Que o mundo lá fora se apague, desista,
Nenhum nome, nenhum som, nenhuma pista.
Só nós —
Sem relógios, sem portas,
Sem ruído ou resposta.
Entrelaçados no mais puro anseio,
Viajamos nus no próprio devaneio.
Sou só tua, e tu inteiro meu,
Sem promessas, sem adeus.
Invadirei tua alma, sem bater,
Abrasarei teu íntimo até renascer.
Varrerei as angústias que em ti habitam,
Com as minhas vontades, que também gritam.
Vestirei tua essência com meu arrepio,
Transformando teu caos no meu próprio abrigo.
E, enfim, seremos — um só pulsar,
No mesmo abismo onde é doce se entregar.
Tão belo o instante em que tudo se cala,
Tão triste o saber que a realidade embala.
Mas é tão meu esse breu encantado,
Onde o desejo é rei e o tempo, domado.
Como o silêncio que nos envolve e dança,
Como a noite sem fim, vestida de esperança.
Tatiana Pereira Tonet
Enviado por Tatiana Pereira Tonet em 26/05/2025