DESEJO DE AUSÊNCIA
Hoje estou triste,
tão triste
que meu corpo pede silêncio,
um refúgio subterrâneo,
uma caverna escondida
nas entranhas do que sou —
sem alarde,
sem rastros.
Não é fuga,
é um apelo íntimo:
desaparecer por instantes
deste mundo que me soa estranho,
onde tudo descompassa,
e eu caminho como estrangeira
da própria existência.
Se não posso recolher-me em mim,
então que me deem asas —
imensas, firmes,
tecidas de vento e coragem —
para voar além dos olhos do mundo,
para atravessar a última nuvem
que o céu ainda sustenta.
E se nem isso couber em mim,
ó Deus, concede-me o dom delicado
de desaparecer sem morrer,
de suspender o tempo
como quem deixa a Terra
e repousa, leve,
num planeta distante,
só por alguns instantes de paz.
Ou, quem sabe,
que eu atravesse o buraco negro
da constelação,
e ao fim da curva do tempo
renasça em outra era,
sob outro céu,
onde o peso de existir
não doa tanto.
Tatiana Pereira Tonet
Enviado por Tatiana Pereira Tonet em 05/08/2025
Alterado em 18/08/2025
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