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ROTINA EM SILÊNCIOS
Acordei cansada —
de tudo,
do tempo que corre sem direção,
da vida breve
que não espera,
não se detém,
e me exige presença em cada passo.

Levanto o corpo,
sirvo o café,
visto a rotina
como quem veste uma crença.
Sorrio ao mundo em fragmentos,
coleciono restos de força,
ofereço flores
quando a garganta quer gritar.

Ser doce e firme,
conter a tempestade
num cenário de bondades fingidas.
Almoço apressada,
retorno ao labor
com olhos cansados
e uma dor disfarçada em silêncio.

À noite,
entre os meus amores,
a mesa se cobre de ternura,
mas nos ombros
ainda repousam velhos temores.
Sou, novamente, branda e gentil,
num teatro de sobrevivência
que se repete sem aplauso.

Ainda assim luto,
resisto,
caminho.
Planto em solo árido,
como quem acredita
na promessa de uma semente.

Sempre, sempre, sempre a tentar —
até que o corpo se renda
e a morte, paciente,
se debruce sobre mim
como quem encerra uma cena.
Tatiana Pereira Tonet
Enviado por Tatiana Pereira Tonet em 18/08/2025
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