ÁFRICA EM MIM
Acordei com tua imagem
ardendo no peito,
África!
Saudade que não cabe no corpo,
alegria no sangue,
chama sem descanso.
Nesta vida não foste casa definitiva,
apenas passagem,
mas tua força ficou cravada em meu peito,
em minha pele, em minha alma.
És raiz oculta,
rio subterrâneo,
correndo com vigor e alegria.
Por que tanta saudade?
Talvez porque a alma conserva
o que já floresceu em outra vida...
Um sopro antigo,
tempo de sol incendiado.
Saudade do calor,
da pele em brasa,
da terra que pulsava em tambor e grito.
E da dança,
Oh, a dança!
não só passo,
mas vulcão que se abre,
corpo que gira como o próprio sol,
chama que não repousa.
Dança que é terremoto,
vento em fúria,
mar que se levanta e não cessa.
Nela o silêncio também gira,
a sombra também dança,
até a dor se move em ritmo.
África!
Tuas marcas não são lembranças,
são cicatrizes luminosas,
faíscas tatuadas na alma.
Carrego-te em cada pulsar,
no calor que não se extingue,
no sol que arde mesmo na noite,
na música invisível que me atravessa.
Sou corpo em movimento,
sou fogo que não dorme,
sou dança que nasceu de ti
e ainda dança.
Tatiana Pereira Tonet
Enviado por Tatiana Pereira Tonet em 21/08/2025
Alterado em 21/08/2025