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ADEUS AO HOMEM DE AUSÊNCIAS
Em uma manhã qualquer,
num dia de sol pleno,
sob a leve premonição do instante,
você surgiu,
depois de tanto tempo
ausente de corpo
e de alma.

Não entendi o porquê,
nem a súbita vontade
de soprar brasas
que o tempo já tornara cinza.

Por que eu deveria alimentar
o teu ego frágil,
esse grande homem confuso,
labirinto de espelhos partidos?

Por que oferecer
uma segunda chance
a um rio que já secou
no próprio leito?

O silêncio,
abismo de mil sons,
revela nossa inútil
fome de afeto.

É nele que o nada
exibe sua máscara de gelo,
e o vazio se faz
deserto sem bússola,
onde até a esperança
perde o nome.

Adeus,
meu homem maravilhoso,
maravilhoso apenas
na tapeçaria de sonhos
que bordei com os fios
trêmulos da mente ferida.

Digo adeus não porque
teu encanto me fosse alheio,
nem porque meu corpo
não tenha ardido em teu nome,
nem porque eu não tenha erguido
castelos de vento
em nuvens passageiras.

Digo adeus porque aprendi
que meu amor-próprio
é mar sem margens,
rio que não aceita contenções,
e jamais serei
pássaro a ciscar
as migalhas do teu chão.

Adeus,
homem de distâncias e neblinas,
já convertido em passado,
fantasma desfeito
no clarão desta manhã
que, enfim,
me devolve a própria luz.
Tatiana Pereira Tonet
Enviado por Tatiana Pereira Tonet em 17/09/2025
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