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DESPEDIDA EM LIBERDADE
Entre a tua ausência
e o breve retorno do teu nome,
um sopro de alegria
fez som no silêncio que te guardava.

Mas o coração,
velho navegante de marés,
sabe reconhecer
quando a viagem já perdeu o norte.

Lembro o primeiro encontro:
miragem entre mesas distantes,
um instante de luz
antes mesmo da tua voz.

Gostei de ti como quem recolhe
um raio de sol inesperado,
mas aprendi:
o amor que me sustenta
não tem preço,
é o meu próprio.

Meses de busca
cansaram meus passos;
vi teu toque
soar como gesto mecânico,
um corpo sem alma,
enquanto minhas mensagens
caiam no vazio.

Talvez
seja teu costume
colecionar presenças fugidias,
sem raiz,
sem laço.

Acreditei, por um instante,
no jogo leve do “sem compromisso”,
até sentir que minha pele
não sabe vestir a máscara da indiferença.

Abraço quem sou:
inteira, feita de verdades,
exigente como a maré
que não aceita margens.

Recuso, serena,
esse roteiro de ausências
que esvazia o coração como um deserto sem vozes.

Que encontres, em teu caminho,
o amor que faça sentido.
Eu sigo o meu,
em paz,
com a serenidade
de quem transforma a ferida em verso
e a despedida em liberdade.
Tatiana Pereira Tonet
Enviado por Tatiana Pereira Tonet em 17/09/2025
Alterado em 17/09/2025
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