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COFFEE AWAKENING / DESPERTAR DO CAFÉ

Hoje acordei

e o perfume do café

subiu lento,

como se fosse a própria voz da minha alma

numa manhã levemente fria.

 

Pode parecer amargo,

mas é intensidade pura:

quente, único,

um sopro de fantasia.

 

Não lembro se um dia

esqueci de prepará-lo ao despertar.

Se esqueci,

foi falha no cuidado mais sagrado:

o de me colocar em primeiro lugar,

de me nutrir de dentro para fora.

 

O café passado

é fruto de um longo rito:

plantar, cuidar, colher as sementes,

torrar, triturar, embalar;

eu, enfim, comprá-lo.

Aquecer a água no ponto exato:

nem fervura impiedosa,

nem tepidez distraída.

 

Assim é o aroma

que hoje inunda minha casa,

a sala, a cozinha,

a própria existência.

Properly brewed coffee is like the warmth of my heart’s cordiality.

 

E declaro:

esta será a última primavera

em que a dor

tentará morar em meu coração.

Pain will not return to my heart!

 

Quero ser tratada

como meu café:

com rituais delicados,

sistemáticos,

até que, por fim,

o prazer seja pleno.

If it’s not like that, I don’t want it!

 

If someone can’t treat me with care,

my heart stays closed.

Be like my coffee: 

come hot with delight

or vanish

into the silence of my life.

 

Hummm...

o cheiro permanece,

suave e persistente,

a lembrança viva

de que a felicidade

também se prepara com cuidado.

The care my heart deserves.

 

Today the coffee is ready once again:

a warm call to the morning,

ready for life,

ready to be lived to the fullest;

and my heart opens wide,

welcoming every good thing

the day dares to bring.

 

Tatiana Pereira Tonet
Enviado por Tatiana Pereira Tonet em 23/09/2025
Alterado em 23/09/2025
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