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MANHÃS DE RESSIGNIFICAÇÃO

Todas as manhãs

abro os olhos e, antes de qualquer gesto,

mergulho em mim.

 

Pergunto quem deve ficar,

quem precisa partir,

se minhas mãos tocam o mundo

com bondade,

se cada escolha desenha

um caminho sensível

para minha própria existência.

 

Nas manhãs frias,

acolho-me no calor do meu corpo,

a reflexão pulsa em silêncio.

No verão, ela corre comigo,

ao ritmo da bicicleta,

e o vento leva e traz

meus pensamentos.

 

Perdão!

Palavra de pedra e de asa.

É a tarefa mais árdua.

Perdoo quem me feriu,

quem plantou horrores na minha pele,

e, a custo, consigo compreendê-los,

deixando-os no lugar que lhes cabe:

o passado.

 

Porque o passado,

se não o nomeamos,

assombra o presente.

Ressignificá-lo é a chave

que abre a manhã.

 

Revejo minhas escolhas,

profissionais, emocionais,

perco-me no labirinto

desses caminhos,

até que a oração me encontra:

rezo para a força universal,

para um mundo em constante

evolução.

 

Quero seguir serena,

mesmo com o corpo marcado

de cicatrizes.

Olho o horizonte

e descubro, ainda,

que a felicidade

insiste em existir.

Tatiana Pereira Tonet
Enviado por Tatiana Pereira Tonet em 25/09/2025
Alterado em 25/09/2025
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