


Todas as manhãs
abro os olhos e, antes de qualquer gesto,
mergulho em mim.
Pergunto quem deve ficar,
quem precisa partir,
se minhas mãos tocam o mundo
com bondade,
se cada escolha desenha
um caminho sensível
para minha própria existência.
Nas manhãs frias,
acolho-me no calor do meu corpo,
a reflexão pulsa em silêncio.
No verão, ela corre comigo,
ao ritmo da bicicleta,
e o vento leva e traz
meus pensamentos.
Perdão!
Palavra de pedra e de asa.
É a tarefa mais árdua.
Perdoo quem me feriu,
quem plantou horrores na minha pele,
e, a custo, consigo compreendê-los,
deixando-os no lugar que lhes cabe:
o passado.
Porque o passado,
se não o nomeamos,
assombra o presente.
Ressignificá-lo é a chave
que abre a manhã.
Revejo minhas escolhas,
profissionais, emocionais,
perco-me no labirinto
desses caminhos,
até que a oração me encontra:
rezo para a força universal,
para um mundo em constante
evolução.
Quero seguir serena,
mesmo com o corpo marcado
de cicatrizes.
Olho o horizonte
e descubro, ainda,
que a felicidade
insiste em existir.