Textos


VOLÚVEIS

Em que momento chegamos?

Quando o afeto se tornou

areia que escorre,

relâmpago breve,

respiração de um instante?

 

Onde erramos,

se o toque já não pesa,

se a presença

é fumaça que se dissipa?

 

A intimidade foi banalizada por completo:

nenhum vínculo emocional a sustenta.

As pessoas simplesmente a fazem

de forma mecânica,

sem enxergar quem está diante de si —

um impulso do momento,

descartando responsabilidades

afetivas e éticas.

 

Nos tornamos máquinas

de desejo automático

e, paradoxalmente,

nunca nos sentimos

tão sozinhos,

tão vazios...

 

Talvez essa solidão

busque abrigo nas redes sociais,

nessa falsa profecia

de que o virtual é concreto.

 

A que ponto chegamos

nessa maré de superficialidade?

E se ainda houver um abismo

mais fundo que este?

Tatiana Pereira Tonet
Enviado por Tatiana Pereira Tonet em 26/09/2025
Alterado em 26/09/2025
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