


Em que momento chegamos?
Quando o afeto se tornou
areia que escorre,
relâmpago breve,
respiração de um instante?
Onde erramos,
se o toque já não pesa,
se a presença
é fumaça que se dissipa?
A intimidade foi banalizada por completo:
nenhum vínculo emocional a sustenta.
As pessoas simplesmente a fazem
de forma mecânica,
sem enxergar quem está diante de si —
um impulso do momento,
descartando responsabilidades
afetivas e éticas.
Nos tornamos máquinas
de desejo automático
e, paradoxalmente,
nunca nos sentimos
tão sozinhos,
tão vazios...
Talvez essa solidão
busque abrigo nas redes sociais,
nessa falsa profecia
de que o virtual é concreto.
A que ponto chegamos
nessa maré de superficialidade?
E se ainda houver um abismo
mais fundo que este?