Textos

HABITAR-SE
Hoje despertei serena,
trazendo à superfície a sabedoria
que o tempo soube lapidar.

Sou femilidade, sou mulher,
acolho minha própria sensibilidade;
em cada gesto pulsa
a essência que me habita.

Esta é a fase suprema:
escolho o que acolho,
o que renuncio,
e recebo, com lucidez tranquila,
o que o amanhã ousar oferecer.

Já vivi outros instantes de plenitude,
mas eram efêmeros;
agora a plenitude flui como um rio tranquilo,
melodia sem pausa.

Sinto o perfume das minhas flores,
todas elas — sobretudo as orquídeas.
Amo cada parte de mim,
cada jardim que construí,
cada lição incorporada.
Amo também as cicatrizes:
se existem, é porque fui forte
o bastante para curá-las.

Celebro a vida!
O que já está concedido,
o que ainda é promessa.
Habito minha própria
morada serena.

Ao passado,
se errei sem perceber,
peço o silêncio do perdão;
e estendo igual clemência
a quem comigo se perdeu no caminho.

O presente é dom precioso,
um sopro que abraço.
E o futuro:
esse pertence à imensidão do universo.

Quero viver!
A existência é única,
maravilhosa em sua essência
e por isso canto e danço.
Tatiana Pereira Tonet
Enviado por Tatiana Pereira Tonet em 29/09/2025
Alterado em 29/09/2025
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