


Nesta noite serena,
um pouco fria,
primavera quase verão,
sinto-te ao longe,
tão longe de mim...
Quem és, forasteiro
de outras fronteiras existenciais,
que aquece o meu corpo
mesmo ausente?
Sinto-te ao longe,
sinto teu perfume:
fragrância intacta da existência.
Imagino tua boca,
tua pele,
tua força masculina:
tão perto,
tão longe,
tão efêmera.
Ouço tua voz,
às vezes conhecida,
às vezes estrangeira;
ora próxima,
ora distante.
Grave,
masculina,
forte,
fortaleza erguida
no horizonte sem fim.
Pele trigueira, macia, sensual,
na qual minha mão desliza
sem ressentimentos,
sem pudores,
sem fronteiras.
E teu beijo:
intenso,
fervoroso,
catastrófico,
envolvente.
É o beijo que arde em minha memória!
É a pele!
É a voz!
É a sensualidade que não cessa,
que intriga meus caminhos
de hoje,
de amanhã,
e para sempre
em minha alma imortal.