CAVERNA DE PLATÃO REINVENTADA
Quem somos nós
neste mundo tão estranho,
onde passos repetidos
riscam o chão todos os dias
sem rumo,
sem pensamento,
sem posição?
Olhares curvados para os próprios pés,
rostos encantados com reflexos vazios,
sombras dançando nas paredes
de uma nova caverna:
a de Platão reinventada.
Correntes invisíveis prendem corpos e mentes.
Olhares acostumados à escuridão
tomam por verdade
as sombras projetadas por fogueiras alheias.
Ali, seguros em sua ilusão,
muitos confundem aparência com essência,
barulhos com palavras,
reflexos com o verdadeiro mundo.
Quem somos nós
neste mundo perdido?
Vozes que ainda ousam perguntar.
Brilhos que insistem em não se apagar.
Sejamos luz, ainda que sutis,
para alguns que se negam à alienação.
Neguemos, por um instante,
a escuridão que nos habita.
Sejamos luz e não sombras,
para aqueles que julgam estar seguros
vendo reflexos na parede.
Sejamos como aquele que,
liberto das amarras existenciais,
sobe com dificuldade para fora da caverna.
Dói-lhe a vista ao encontrar a luz,
mas aprende a distinguir
a realidade do simulacro.
E, ao retornar, não é compreendido.
Suas palavras incomodam,
sua nova visão ofusca os que nunca olharam o sol.
Ainda assim, a alienação permanece, totalizante, em meio aos ignorantes.
Porque pensar é resistir.
Ao menos,
somos aqueles que refletem.
Tatiana Pereira Tonet
Enviado por Tatiana Pereira Tonet em 08/10/2025
Alterado em 08/10/2025
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