


O amor é como o mar que se oferece à areia:
vai e volta,
num sopro de eternidade...
Ora intenso, ora sereno,
seguindo a respiração dos ventos,
numa manhã que pode nascer fria
ou incendiar-se em calor.
É retorno!
Brisa que se dobra sobre o horizonte,
vento que leva lembranças
e devolve memórias,
trazendo de volta um lugar
que nunca é o mesmo.
É vida que pulsa
no ciclo da terra e do sol,
na semente que insiste em germinar
mesmo sob o peso das pedras.
É alegria que amanhece
no primeiro raio de sol,
cumplicidade de nuvens
que se tocam no azul em constante movimento.
Às vezes, o amor se veste de tristeza:
é chuva mansa que acaricia o chão,
rio inquieto que se turva na tormenta,
e, ainda assim,
arco-íris que se curva
entre a tempestade e o céu.
É belo!
E também seu avesso:
terra árida,
vento frio
que põe à prova a paciência das raízes.
Amor é o não-abandono:
maré que retorna obstinada,
mesmo exausta do mesmo cais,
em meio às fúrias das tempestades.
É o sol que persiste,
mesmo quando o mundo se esquece de olhar.
E ainda assim,
permanece como horizonte que acolhe o dia,
como o arco-íris que nasce
do pranto do céu,
lembrando que o amor,
mesmo na dor,
ainda é luz.