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GEOGRAFIA DO AMOR

O amor é como o mar que se oferece à areia:

vai e volta,

num sopro de eternidade...

Ora intenso, ora sereno,

seguindo a respiração dos ventos,

numa manhã que pode nascer fria

ou incendiar-se em calor.

 

É retorno!

Brisa que se dobra sobre o horizonte,

vento que leva lembranças

e devolve memórias,

trazendo de volta um lugar

que nunca é o mesmo.

 

É vida que pulsa

no ciclo da terra e do sol,

na semente que insiste em germinar

mesmo sob o peso das pedras.

 

É alegria que amanhece

no primeiro raio de sol,

cumplicidade de nuvens

que se tocam no azul em constante movimento.

 

Às vezes, o amor se veste de tristeza:
é chuva mansa que acaricia o chão,
rio inquieto que se turva na tormenta,
e, ainda assim,
arco-íris que se curva
entre a tempestade e o céu.

 

É belo!

E também seu avesso:

terra árida,

vento frio

que põe à prova a paciência das raízes.

 

Amor é o não-abandono:

maré que retorna obstinada,

mesmo exausta do mesmo cais,

em meio às fúrias das tempestades.

 

É o sol que persiste,

mesmo quando o mundo se esquece de olhar.

E ainda assim,

permanece como horizonte que acolhe o dia,

como o arco-íris que nasce

do pranto do céu,

lembrando que o amor,

mesmo na dor,

ainda é luz.

Tatiana Pereira Tonet
Enviado por Tatiana Pereira Tonet em 29/10/2025
Alterado em 29/10/2025
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