Textos


QUANDO SOLTO AS RÉDEAS DO MUNDO

Passei anos acreditando

que eu tinha nas mãos

as rédeas invisíveis do mundo,

como se a vida fosse um cavalo manso

esperando meus comandos,

como se o tempo obedecesse

ao estalar dos meus dedos.

 

Quis controlar tudo:

as pessoas,

os gestos,

as marés que não me pertenciam.

Tentei ser relógio, bússola,

vento contrário,

guardiã de universos que não eram meus.

 

E um dia,

no silêncio que fica entre um passo e outro,

descobri que controlar a vida

é como tentar costurar nuvens,

segurar água entre as mãos,

plantar raízes no ar.

 

Percebi que meu cotidiano,

feito de estudos, horas marcadas,

trabalhos que me atravessavam,

era apenas um cômodo da casa,

não a casa inteira.

 

A vida…

ah, a vida é o todo!

Ela é floresta,

é tempestade e clarão,

é pássaro que não aceita gaiola,

é rio que muda de curso

mesmo quando ninguém está olhando.

 

A vida dança antes que a música comece,

abre asas antes que o céu amanheça,

chama pelo meu nome

como quem acende um farol

no meio da alma.

 

A vida é bela!

bela como um raio atravessando a noite,

como um perfume que insiste em ficar na memória,

como o mar que não sabe ser pequeno.

 

Então vamos dançar

antes que o tempo feche as cortinas.

Vamos beber do agora

como quem encontra fonte no deserto.

 

Porque o amanhã

é um pássaro que talvez não pouse,

e o passado

é pedra que já se acomodou no fundo do rio.

 

Mas eu,

eu finalmente solto as rédeas,

abro os dedos,

respiro fundo

e deixo a vida correr

livre,

selvagem,

inteira.

Tatiana Pereira Tonet
Enviado por Tatiana Pereira Tonet em 15/11/2025
Alterado em 15/11/2025
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários