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QUANDO O "OUTRO" É UM ESPELHO: PROJEÇÕES DA ALMA

O que é a dor da paixão?

Será a frustração do “outro”

que não corresponde

à forma como o meu desejo o imagina?

Será a imagem deturpada

que o inconsciente insiste em pintar,

ou a paranoia silenciosa do meu próprio “eu”,

tateando sombras como se fossem luz?

Talvez seja apenas o desenho borrado

que repousa sobre a mesa,

claro demais para quem, enfim, decide olhar.

 

Afinal, o que é a paixão?

Quem sabe seja a projeção mais linda

que a alma, em seu mistério divino, é capaz de criar:

um contorno idealizado,

o belo, o agradável, o infinitamente desejável.

É intensidade pura, desmedida,

que apaga falhas, suaviza arestas,

ignora defeitos, inventa virtudes.

 

A paixão é o meu próprio reflexo

colocado no corpo do “outro”:

ele é bom, é doce, é responsável,

é tudo aquilo que fantasiei

para habitar o espaço ao meu lado.

 

E quando esse “outro” se desfaz,

quando sua ausência corta mais fundo

do que qualquer presença poderia,

a dor me lança ao abismo da própria mente:

questiono minha sanidade,

meu discernimento, meus passos,

como se o erro fosse eu e, talvez, seja.

 

Até que, num instante de lucidez,

percebo aquilo que sempre esteve ali:

o “outro” que perdi

nunca existiu fora de mim.

Era um sopro inventado,

uma criação da minha própria alma,

a máscara perfeita

que vesti com minhas expectativas.

 

Nada além disso!

E, ainda assim,

tão humano,

tão profundo,

tão dolorosamente meu 

e nunca desse “outro”.

 

Foi apenas uma tela flutuando no oceano azul,

uma imagem que eu mesma pintei

no silêncio do meu coração

e na profundidade da minha alma.

Tatiana Pereira Tonet
Enviado por Tatiana Pereira Tonet em 11/12/2025
Alterado em 11/12/2025
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