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DEPOIS DA TORMENTA

Hoje ainda acordei

com dor no coração —

um coração partido —

mas dói menos

que ontem,

que anteontem,

que na última semana,

que nas últimas duas ou três...

 

O pior já passou!

 

Passou como uma tormenta

que veio sem pedir licença:

rompeu barragens,

quebrou casas,

estilhaçou vidros,

arrastou pedras,

derrubou árvores inteiras.

 

O vento cessou.

A fúria da tempestade também.

 

Ficou o estrago.

 

E agora,

com mãos trêmulas,

vou organizando os restos

na minha alma,

na minha mente,

no meu ser.

 

Para que tanta dor no mundo,

meu Deus?

Ainda não sei a resposta.

 

Só sei que sentimentos fortes

carregam esse paradoxo cruel:

uma alegria sobre-humana

e, ao mesmo tempo,

devastadora.

 

Tento entender a dor

como processo,

como travessia,

como sinal.

 

Porque, no fundo,

se sinto,

é porque estou viva.

E, se estou viva,

sentirei tudo com profundidade

neste coração cheio de cicatrizes.

Tatiana Pereira Tonet
Enviado por Tatiana Pereira Tonet em 17/12/2025
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