


Que nome dar a esse amor,
sopro sem fronteiras,
que atravessa mapas
como o vento atravessa a pele,
sem pedir licença,
sem jamais se deter?
Que força é essa,
antiga como o primeiro suspiro humano,
que inquieta a mente
e arde em silêncio,
como já intuía Sigmund Freud,
esse desejo que nos habita
e nos desfaz por dentro,
invisível, insistente, inevitável?
Que destino é esse do coração,
que aprende a sangrar em segredo,
como se tivesse sido arrancado do peito,
ferido, estilhaçado,
e ainda assim devolvido
a um corpo aberto,
condenado a pulsar
entre ausência e esperança?
E essa imagem no céu,
tão antiga quanto a noite,
igual para todos os povos,
essa promessa silenciosa
de que o amor persiste,
mesmo quando tudo parece perdido,
e se sustenta
na delicada teimosia do infinito?
Que chama é essa,
tão frágil e tão imensa,
de querer ser visto,
reconhecido no olhar do outro,
tocado como quem toca o sentido da vida,
amado,
e, sobretudo, desejado?
Onde estás,
sol de cada dia,
que ilumina e encobre
essa verdade que nos escapa?
Onde estás tu,
perdido entre distâncias,
entre tantas almas solitárias
que sentem o mesmo vazio
e o chamam por outros nomes?
Onde estás,
futuro amor da minha vida?
Estás ao norte,
entre colinas que guardam silêncios?
Ou ao sul,
em planícies onde o tempo repousa esquecido?
Caminhas à beira do Oceano Atlântico,
ou te dissolves nas águas do Oceano Pacífico?
Talvez respires nas margens do Mar Mediterrâneo,
ou te escondas nos extremos do Oceano Índico,
do Oceano Ártico
ou do Oceano Antártico.
Ou talvez estejas aqui,
tão perto
que ainda não aprendi a te reconhecer.
Ou talvez sejas apenas
essa ausência que me atravessa,
essa espera que me sustenta,
esse horizonte que me chama.
Ainda não sei,
mas é por ti
que continuo...