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EMBRIAGUEZ DO PODER

Há homens

que, ao tocarem o poder,

passam a acreditar

que também possuem o direito

de tocar, moldar e ferir os corpos alheios.

 

Como se o corpo do outro

deixasse de ser sagrado

e se transformasse apenas

em território de comando.

 

Há algo profundamente sombrio

na embriaguez do poder.

 

O poder raramente grita;

ele sussurra pelos corredores,

habita instituições, discursos, uniformes,

e aprende lentamente

a habitar a carne humana.

 

Foucault tem razão!

 

O poder não vive somente nos palácios,

mas circula invisível

entre olhares, normas e vigilâncias,

fazendo do corpo

o seu mais silencioso campo de batalha.

 

O corpo vigiado.

O corpo disciplinado.

O corpo punido.

O corpo treinado para obedecer.

 

E aquele que domina

muitas vezes acredita possuir

autoridade absoluta sobre a existência do outro,

como se autoridade fosse sinônimo de propriedade.

 

Por isso existem homens

que silenciam, humilham, violentam,

torturam e esmagam,

não apenas pela crueldade em si,

mas pela sensação intoxicante

de perceber outro ser humano

submisso às suas mãos.

 

Há poderes que não desejam apenas governar;

desejam penetrar a subjetividade,

domesticar gestos,

controlar desejos,

regular até mesmo

a maneira como alguém respira o próprio medo.

 

E assim o mundo segue:

corpos atravessados por ordens invisíveis,

vidas medidas pela utilidade,

afetos comprimidos

pela maquinaria fria do domínio.

 

Ainda assim,

em algum lugar escondido da alma humana,

sobrevive uma pequena resistência.

 

Uma luz mínima.

Uma recusa silenciosa.

 

Porque nem todo corpo ajoelhado

pertence àquele que o oprime.

Tatiana Pereira Tonet
Enviado por Tatiana Pereira Tonet em 12/05/2026
Alterado em 12/05/2026
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