


Cadê o amor
que nunca chega?
Cadê você,
homem que habita meus sonhos
e permanece fantasma
na claridade da minha realidade?
Será que existe mesmo?
Ou é apenas uma sombra
perdida entre o tempo e o espaço,
uma invenção delicada
desse universo transcendental
que minha esperança construiu?
Espero o dia
em que meus olhos encontrarão os seus
e, sem que nenhuma palavra seja necessária,
a alegria florescerá inteira
como quem finalmente reencontra
o lugar onde sempre pertenceu.
Quero tocar seu corpo,
mas antes dele, sua alma.
E sentir que o toque regressa até mim,
como um rio que conhece o caminho do mar,
como se duas vidas,
há muito separadas,
descobrissem que sempre foram
uma mesma direção.
Quero olhar tão profundamente
para dentro dos seus olhos
que, quando eles responderem aos meus,
eu me torne novamente adolescente,
corando diante do primeiro amor,
surpresa pela delicadeza
de ainda saber estremecer.
Quero que você seja, para mim,
tão belo,
tão raro,
tão essencial,
como se o mundo inteiro
tivesse silenciado
para deixar apenas você existir.
E que, entre tantas pessoas,
meu olhar jamais procurasse outro caminho,
porque já teria encontrado o seu.
Imagino seu perfume
como o vento atravessando um campo de lírios,
como a respiração da terra
depois da chuva,
como a orquídea mais rara
desabrochando apenas uma vez
para quem soube esperar.
E quando, enfim,
você estiver ao meu lado,
não será apenas sua beleza
nem o perfume que me prenderão.
Será essa vontade imensa
de viver você por inteiro,
uma força que nenhuma distância explica,
mais profunda que o oceano,
mais antiga que o tempo,
mais inevitável
que o próprio destino.