


Eu estou aqui
desde o instante
em que os nossos olhos
ousaram reconhecer-se
entre tantas vidas anônimas.
Eu estou aqui,
esperando por você
como quem espera
a chegada de uma estação
que nunca perdeu o caminho.
Neste mundo
de promessas frágeis
e espelhos que inventam verdades,
eu espero por ti.
E, enquanto te espero,
também espero por mim,
pela mulher
que apenas o encontro
é capaz de revelar.
Talvez o destino
não seja uma estrada,
mas o delicado acidente
de duas existências
que, por um breve milagre,
escolhem caminhar
na mesma direção.
Dois corpos
que aprendem a linguagem do desejo.
Duas histórias
que o acaso aproxima.
Dois tempos
que deixam de correr paralelos
para expandirem-se
numa única eternidade.
Virás
das terras distantes,
com o vento nos ombros
e a delicadeza dos homens
que ainda sabem proteger
sem aprisionar.
Serás
meu príncipe sem reino,
meu cavalheiro alado,
não porque me pertenças,
mas porque, entre todas as direções do mundo,
escolherás permanecer.
E eu te desejarei
com a intensidade
de quem encontrou
o lugar onde o coração
descansa sem medo.
Quero o abrigo do teu abraço,
a paz silenciosa
que nasce da tua presença.
Quero que os teus beijos
me devolvam
as partes de mim
que o tempo dispersou.
Quero repousar
junto ao teu corpo,
como quem encontra
o próprio horizonte,
até que o relógio
desista de contar as horas.
E, acima de tudo,
quero olhar demoradamente
para os teus olhos —
esses olhos profundos,
vastos
como o deserto ao entardecer,
onde a distância
não separa,
apenas convida
à travessia.
Talvez sejas miragem...
Há uma única certeza:
desde aquele primeiro olhar,
eu estou aqui.
Se o amor conhece
alguma forma de eternidade,
ela começa exatamente assim
na silenciosa permanência
de quem espera,
e no privilégio
de encontrar alguém
como você.