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ONDE EXISTE A ALMA 

Será que somos

somente essa realidade carnal

imposta ao mundo?

 

Esse corpo que chega,

ocupa um espaço,

recebe um nome,

um número,

uma existência entre tantas outras?

 

Ou somos aquilo

que permanece profundamente

quando a matéria silencia?

 

Talvez sejamos

a essência que habita

as regiões mais secretas de nós mesmos,

onde o corpo já não alcança.

 

Não é com a carne

que vejo o mundo.

 

É com o meu olhar subjetivo,

com aquilo que em mim

não pode ser medido,

nem tocado,

nem explicado.

 

É com os olhos da alma

que reconheço as coisas,

que atravesso as aparências,

que encontro aquilo

que os olhos do corpo

jamais conseguiriam ver.

 

O corpo é matéria errante!

 

Um espaço entre outros espaços,

um número entre tantos números,

uma passagem breve

por este mundo

tão farto

e, ao mesmo tempo,

tão doce.

 

Talvez a carne seja apenas

o instrumento possível

para que a alma permaneça livre,

para que ela descubra,

ame,

sinta,

percorra o desconhecido

e se reconheça

naquilo que encontra.

 

Como podemos amar tão profundamente

somente com o corpo?

Não!

É a alma que ama.

 

O corpo apenas obedece

a esse movimento invisível.

 

É a alma que descobre,

que se entrega,

que é livre,

que é sábia

mesmo quando não compreende.

 

E quem somos nós

neste mundo

que nos oferece tanto

e nos toma tanto?

 

Talvez sejamos

essa contradição permanente

entre a matéria que passa

e aquilo que permanece...

 

E é com a minha alma

que eu te vejo!

 

Vejo-te muito além

das formas,

dos gestos,

das palavras,

das distâncias.

 

Vejo-te em um lugar

onde a compreensão existe,

mas não se deixa medir.

 

Há coisas que compreendemos

sem jamais conseguir dizê-las.

 

Há encontros

que acontecem antes da palavra.

 

Há presenças

que permanecem

mesmo quando o corpo parte.

 

Foi com essa alma

que te toquei.

 

Foi com ela

que te senti.

 

Foi com ela

que vivi.

 

Foi com ela

que te disse adeus,

em meio ao silêncio,

quando já não havia palavras

capazes de dizer

o que a alma

ainda continuava sentindo...

 

Tatiana Pereira Tonet
Enviado por Tatiana Pereira Tonet em 21/09/2026
Alterado em 21/09/2026
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