


O que é essa angústia
que atormenta meus ossos,
todos eles,
como se conhecesse
cada esconderijo do meu corpo?
O que é isso
que me esfolia a alma,
que raspa minha existência
por dentro,
como se tivesse sido convidada
a entrar?
Mas quem a convidou?
Ou será que você
sempre esteve aqui?
Será que já é parte do meu corpo,
uma matéria invisível,
uma hóspede antiga
dormindo e esperando apenas
o instante de despertar?
O que é isso
que corrói minha alma
com a violência de uma avalanche,
desesperada,
com pressa de alcançar
a beira da montanha?
De onde vem
esse medo de um futuro
que ainda nem existe?
Como pode aquilo
que ainda não aconteceu
invadir o presente,
acelerar meu coração,
molhar minhas mãos,
atravessar meu peito?
Sei da perfeição do corpo,
dessa inteligência ancestral
que pressente o perigo,
que acende seus alarmes,
para sobreviver
àquilo que talvez
nem venha.
Você chegou!
Tomou meus pensamentos,
meu corpo,
meu agora.
Quem é você
que conhece tão bem
os caminhos para chegar até mim?
Quem é você
que transforma o futuro
em ameaça
antes mesmo de ele nascer?
Quem é você
que me faz correr
quando não há estrada?
Quem é você?
Ansiedade?
Medo?
Pressentimento?
Ou apenas
essa terrível consciência
de que diante do infinito
eu jamais saberei
o que vem depois?